quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Problemas da infraestrutura aeroportuária no Brasil

Correio Braziliense - 17/10/2012
Intervenção na Infraero
DECO BANCILLON
Um dia depois de os pousos e as decolagens do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, terem sido restabelecidos, após 46 horas de fechamento do terminal, quase 500 voos cancelados e mais de 25 mil passageiros prejudicados, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, disse que o governo prepara uma “grande mudança” na Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) para torná-la mais eficiente. Ainda que não tenha citado o incidente envolvendo um avião cargueiro da companhia aérea norte-americana Centurion Cargo, que teve problemas ao pousar em Campinas, a fala do ministro transparece a preocupação do governo com o desempenho da estatal.
No governo, é consenso que a Infraero não conseguiu agir no tempo adequado para resolver o problema, que teve início com um pneu estourado da aeronave que fazia o trajeto entre Miami, nos Estados Unidos, e Campinas. Por lei, as empresas aéreas são responsáveis pela retirada das aeronaves com problemas da pista. Mas caso não tenham o aparelho específico, o recovery kit, cabe à operadora dos terminais fazer a remoção. O terminal de Campinas foi privatizado, mas ainda está sob a tutela da Infraero.
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) avisou que abrirá investigação para saber se a Infraero e a Centurion Cargo cumpriram corretamente o plano de emergência. Mas ninguém acredita, nem dentro do governo, que o órgão regulador fará algo de efetivo para pôr ordem na casa.
Em São Paulo, Pimentel disse que a intervenção na Infraero se limitaria a “mudanças funcionais”, e assegurou que elas nada teriam a ver com o incidente em Viracopos. Fontes do governo ouvidas pelo Correio explicaram, porém, que as mudanças às quais o ministro se referiu seriam mais do que simples “adequações” para que a Infraero possa desempenhar melhor o seu papel, diante do novo modelo de concessões, inclusive com projetos emergenciais. A presidente Dilma Rousseff, por sinal, afirmou a assessores não entender o fato de a empresa não ter “um projeto B” para evitar tantos transtornos à população.
A ideia, segundo o Palácio do Planalto, é garantir que a estatal tenha uma atuação mais condizente com sua participação minoritária nos aeroportos que foram leiloados, entre os quais o próprio Viracopos, Cumbica, em Guarulhos, e o Juscelino Kubitschek, em Brasília.
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